Preço de imóveis registra queda em Mogi, aponta estudo

DANILO SANS

O preço médio por metro quadrado (m²) do imóvel subiu 2,5% em Mogi das Cruzes durante o ano de 2016 e passou a custar R$ 3.590,00 – segundo levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e divulgado pela revista Exame. Descontada a inflação, de 6,29% no período, houve desvalorização 3,8%. O resultado mostra que este é o melhor momento dos últimos 10 anos para negociar preços e conseguir descontos na hora da compra.

A relutância do proprietário em baixar ainda mais os preços, mesmo diante da recessão, é um dos principais fatores para a estagnação do mercado. Em Mogi das Cruzes, há imóveis vazios há mais de um ano, e permanecem assim porque o valor ainda é o mesmo de quando a economia andava sem tropeços, conforme avalia Joaquim Paixão, proprietário da imobiliária Paixão, em Braz Cubas.

“O proprietário ainda não caiu na real de que o preço tem que cair por isso o mercado ficou congelado”, pondera. As taxas de juros para o financiamento baixaram de 11% em 2016 para 10% em 2017, mas a ação ainda não foi suficiente para empurrar as vendas. Bom para quem já tem o dinheiro na mão, porque assume posição vantajosa na hora de negociar.

“Eu tenho um cliente que constrói para vender. Ele me disse que há um ano não consegue fazer nenhum negócio”, revela Paixão. Para quem aluga, a situação é a mesma. O advogado dá o exemplo real de um imóvel comercial na Cidade que foi colocado para locação por R$ 10 mil mensais. “Ficou um ano sem alugar. Só agora o proprietário resolveu reduzir para R$ 4 mil. Se tivesse reduzido antes, poderia ter ganhado R$ 48 mil no ano passado”, acrescenta.

Um corretor de Mogi que preferiu não ter o nome divulgado disse que “quem está com dinheiro está comprando”. O problema, segundo ele, é que imóveis usados e grandes, como os da Vila Oliveira, da Vila Suíssa e do Alto do Ipiranga, pararam de ser procurados por causa do alto preço pedido pelos proprietários. Mesmo assim, ele percebe um aumento na procura de interessados em imóveis novos – que veio acompanhado de possíveis clientes dispostos a conseguir o maior desconto possível. “Só em um final de semana, a gente recebeu 40 visitas em um estande. O pessoal está pesquisando bastante”, diz.

O preço nominal médio do m² para venda no Estado de São Paulo apresentou redução de 0,9% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2016. No comparativo com o último trimestre de 2016, os preços tiveram queda de 0,1%, de acordo com o levantamento DMI-VivaReal. No Estado, o valor médio do m² já é o mais baixo desde o primeiro trimestre de 2015.

Para o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon-SP), Celso Giuseppe, o cenário, no geral, é de cuidado. “Alguns mercados mostram sinais de recuperação, mas, na média, não estão surgindo novas obras, decorrente do prologamento da recessão econômica”, ressalta.

De acordo com o Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-SP), Mogi das Cruzes não lança uma nova unidade residencial desde 2015. Em 2014, houve 188 novos imóveis; 828 (em 2013) e 2.559 (em 2012).

Conforme explica Giuseppe, a indústria da construção tem ciclos de longa duração. Portanto, a curto prazo, ainda deverá sofrer os efeitos da crise. “No médio prazo, se superarmos a fase crítica que atravessamos certamente a confiança dos investidores e das famílias será resgatada. Voltaremos a crescer, inicialmente num ritmo lento”, completa.

Uma boa notícia, ainda de acordo com o diretor do SindusCon-SP, é o anúncio da contratação de 600 mil novas unidades do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, sendo 170 mil na faixa 1 (de moradia popular), destas 45 mil em São Paulo.

Fonte: O Diário

Salvar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *