Estoque de imóveis em Sorocaba sobe para 39%

O mercado imobiliário sorocabano conseguiu vender 61% das 15.025 unidades lançadas entre outubro de 2013 e setembro de 2016, restando 39%. Segundo levantamento realizado pelo Departamento de Economia e Estatística do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), foram lançadas 13.568 unidades verticais e 1.457 horizontais, sendo que foram vendidas 9.129, restando 5.896 unidades. No levantamento anterior, divulgado no ano passado e abrangendo de outubro de 2012 e setembro de 2015, foram 12.296 unidades vendidas, de um total de 17.838 imóveis lançados, ou seja, 68%, ficando 32%.

Os dados foram apresentados ontem pela regional do Secovi durante evento realizado no auditório do jornal Cruzeiro do Sul, em que participou o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia.

Para Guido Cussiol Neto, diretor regional do Secovi-SP de Sorocaba, a rápida desaceleração da economia contribuiu para o aumento do estoque de imóveis no mercado. “Vários empreendimentos que estavam no forno acabaram sendo lançados em meio à crise”, observa. O diretor acredita que a desconfiança geral com o cenário econômico tem afastado os compradores, apesar do grande déficit habitacional. “Acredito que a situação do emprego seja o principal fator que represa essa demanda”, diz Cussiol. Outro ponto seria a vantagem de não desaplicar o dinheiro, por conta da alta taxa de juros e seus rendimentos. “Os proprietários estão flexíveis nas negociações, incorporando inclusive a permuta”, avalia.

O maior volume de lançamentos e vendas foi de imóveis de 2 dormitórios econômicos, correspondendo a 70% e 71%, respectivamente. O segmento de 3 dormitórios registrou 12% e 11% de participação, respectivamente; seguido de unidades de 2 dormitórios (10% e 9%); 1 dormitório econômico (4% e 4%); 1 dormitório (3% e 3%); e 4 dormitórios (0,8% e 0,9%). O valor global de vendas — referente às 9.129 unidades — nos últimos 36 meses em Sorocaba foi de R$ 2,043 bilhões.

Os imóveis de até R$ 215 mil tiveram 11.023 unidades lançadas e 6.972 vendidas; seguidos pelas unidades entre R$ 215 mil e R$ 350 mil (2.396 e 1.311 unidades); de R$ 350 mil a R$ 500 mil (918 e 476); de R$ 500 mil a R$ 750 mil (448 e 214); e acima de R$ 750 mil (240 e 156). A média de preço total no período foi de R$ 233.066,00 (1 dormitório); R$ 145.297,00 (1 dormitório econômico); R$ 277.080,00 (2 dormitórios); R$ 186.234,00 (2 dormitórios econômicos); R$ 471.601,00 (3 dormitórios); e R$ 1.294.472,00 (4 dormitórios).

O vice-presidente do Interior do Secovi-SP, Frederico Marcondes Cesar, acredita que os números de Sorocaba são semelhantes aos de outras cidades de mesmo porte no Estado. “Os dados são muito parecidos.” Para ele, esse é o momento mais favorável aos compradores, devido à grande oferta de imóveis e sinais de melhora da economia. Quando o mercado começar a se estabilizar, porém, o quadro se inverterá. Ele explica que os imóveis levam de 4 a 5 anos desde sua elaboração até a entrega das chaves, e se confirmada a expectativa de uma melhora nesse intervalo, os compradores encontrarão um mercado em que a procura será maior que a oferta. A tendência será, então, de aumento dos preços.

Para Flavio Amary, presidente da Secovi-SP, o mercado já vem apresentado sinais de recuperação. “A cada dia que passa os brasileiros têm mais confiança em uma melhora do cenário econômico”, considera. “E para tomar a decisão de comprar um imóvel, precisa ter confiança no futuro”, diz Amary.

Programa vai usar lotes urbanizados

O secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia, apresentou ontem o programa “Morar Bem, Viver Melhor”, durante o Encontro Secovi do Mercado Imobiliário em Sorocaba. O objetivo é incentivar as loteadoras de Sorocaba e região a inscrever seus terrenos urbanizados para serem comprados, com subsídio do Estado, por famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos. O encontro foi primeiro de uma série que será realizada no interior do estado, em parceria com o Secovi.

“O Estado sempre produziu lotes de uma maneira direta, em parceira com os municípios. Nós estamos mudando essa lógica. Ao invés de produção de lote, estamos fazendo uma parceria com o setor privado”, segundo Garcia. As loteadoras têm até 29 de novembro para se inscrever. Para o secretário, está é uma oportunidade em meio à crise econômica.

Após essa fase, será feito um levantamento dos lotes disponíveis, a identificação do público alvo e a seleção dos mutuários por meio de sorteio. “Aí sim vamos anunciar quanto cada cidade vai receber.” Com a carta de crédito em mãos, o beneficiário irá até a loteadora adquirir seu terreno.

Em 2017, 30 mil famílias devem ser atendidas em 12 mil lotes. As parcelas serão de até 5% da renda. “Uma família que ganha um salário mínimo pagará cerca de R$ 40, por 10 anos”, conforme Garcia. As famílias que ganharem menos terão até 90% de subsídio. O Estado estaria ainda articulando com a Caixa Econômica Federal recursos para o financiamento da construção das residências.

O déficit habitacional do Estado seria de 1 milhão e 200 mil moradias. O programa vai movimentar cerca de R$ 700 milhões na economia paulista, com R$ 366 milhões do governo estadual como subsídio e financiamento e o restante da iniciativa privada.

Fonte: Cruzeiro do Sul

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